AS CASAS DOS NOSSOS AVÓS. A ARQUITECTURA POPULAR ALGARVIA, Projecto educativo para os anos lectivos 2013-2015

Com diferentes expressões dentro da própria região, resultado da relação das populações com as especificidades geomorfológicas da terra, da sua adaptação aos aspectos geoclimáticos, às suas particularidades naturais e culturais da região, a arquitectura popular algarvia apresenta-se, nas suas características, dotada de uma originalidade muito própria. Na serra, os terrenos do carbónico (xistos argilosos) deram origem às construções em alvenarias de xisto; no Barrocal (Algarve Central), os terrenos mesozóicos, (com afloramentos calcários, grés e margas), e os calcários e argilas, à utilização da cal, ao recurso às alvenarias de calcário ou à taipa (sistema construtivo dominante em todo o Algarve) justificando os pavimentos em tijoleira e os vãos guarnecidos a cantaria, as cobertura mistas das casas, os telhados e as açoteias; e no Litoral as areias e os arenitos, os calcários e argilas justificam também o recurso às alvenarias de taipa, os pavimentos em tijoleira ou terra batida, e as casas de cobertura de uma ou duas águas, com ou sem chaminé, extremamente rendilhada, por vezes, e às habitações de pescadores de uma ou duas divisões, em estruturas de madeira cobertas de colmo ou “estorno”, com simples pavimentos de terra batida.

Objecto de estudo por vários autores, a habitação tradicional algarvia revela assim muito mais do que um simples elemento construído, exprimindo toda uma série de valores e de princípios que constituem, na sua diversidade, a própria cultura algarvia, sendo ela própria uma síntese do «ser algarvio», enquanto elemento que articula as diferentes dimensões de habitar e viver na paisagem e na região.

Destacam-se os aspectos de sustentabilidade na organização e implantação dos diferentes elementos construídos, a continuidade na forma de construir e habitar, a influência e transgressão entre os elementos de cariz mais erudito e os de expressão mais vernácula, onde o acentuado sentido de pormenor e de decorativismo se encontra frequentemente presente, por vezes de forma subtil, onde as populações sempre souberam tirar o melhor partido das matérias-primas – pobres, por natureza, com uma enorme autonomia criativa e funcional, contornando as limitações que a natureza impunha, conseguindo, ao mesmo tempo, uma perfeita simbiose entre o homem e o meio ambiente. As chaminés e as platibandas ornamentadas são exemplo disso mesmo.

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