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PERCURSO PEDESTRE «PASSOS CONTADOS» – Nas rotas do arqueólogo Estácio da Veiga em Cacela

Com os arqueólogos Catarina Oliveira e Nuno Inácio

13 Outubro (Domingo)

Ponto de encontro: 9.30 em Santa Rita

 

Privar as províncias desse poderoso meio de cultura e representação científica [o património arqueológico: monumentos e colecções], equivaleria a destruir as suas condições de progresso intelectual e a querer que não houvesse no reino mais do que duas ou três cidades dignas de atenção.” quem o escreve é Estácio da Veiga, pioneiro da arqueologia portuguesa, em 1880.

Estácio da Veiga (1828-1891), natural de Tavira, oriundo de uma família da nobreza rural Algarvia, foi um dos mais notáveis arqueológos portugueses de sempre, pioneiro e inovador no seu tempo. Autor da Carta Arqueológica do Algarve (1878), a primeira no país, e das “Antiguidades Monumentais do Algarve” que publicou em 4 volumes entre 1886 e 1891, ano da sua morte, propôs em 1880 um “Programa para a instrução dos estudos arqueológicos em Portugal” e criou, inteiramente contrário à centralização e concentração num só lugar de todos os monumentos da nação, o “Museu Arqueológico do Algarve” cuja colecção, depois da sua morte, viria a integrar o Museu Ethnografico Português, actual Museu Nacional de Arqueologia. Tudo com base num plano sistemático e pioneiro de identificação, escavação, registo, interpretação e divulgação de vestígios arqueológicos, que o levaram a percorrer todo o Algarve de Oriente para Ocidente, empregando métodos inovadores.

 Estácio da Veiga

Em Cacela identificou túmulos megalíticos, necrópoles de cistas, vestígios romanos, silos e materiais islâmicos,… escavou, registou, desenhou, fotografou, cartografou, publicou. Na sua maior parte desaparecidos, conhecemos hoje estes valiosos testemunhos a partir dos seus registos, magnificas pranchas com desenhos dos objectos exumados, plantas detalhadas com menção aos proprietários das casas de lavoura.

 Carta Arqueológica do Algarve

 

Neste percurso, seguindo as pisadas de Estácio em Cacela 130 anos depois, com a orientação de dois arqueológos, vamos descobrir uma figura ímpar do Portugal Oitocentista, e ficar a conhecer testemunhos de um passado remoto que Estácio da Veiga, imbuído pelos ideais do Romantismo, tanto se empenhou em por ao serviço da instrução e desenvolvimento das populações.

 

Quem eram os arqueólogos nos finais do séc. XIX? O que os motivava? Com que apoios contou Estácio da Veiga? Como se deslocava no Algarve de então e tomava conhecimento dos sítios arqueológicos? Que métodos de escavação e registo utilizava no terreno? Que destino tiveram os monumentos e colecções arqueológicas que identificou e estudou? São algumas das questões que vão orientar a conversa ao longo do percurso.

 

Passos Contados… porque os caminhos, os lugares, as pessoas contam estórias. A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António propõe este ano novas experiências de interpretação e descodificação das paisagens culturais e naturais do sotavento algarvio. Nesta sétima edição iremos descobrir as plantas e os seus antigos usos na medicina e alimentação (Abril); ouvir relatos de viajantes, escritores e poetas sobre Cacela e Vila Real de Santo António (Maio); revisitar elementos de um Algarve antigo, entre o sagrado e o profano (Junho); descobrir antigas tradições alimentares no Algarve rural (Julho); escutar, interpretar e reproduzir os sons nocturnos da natureza (Agosto); conhecer os saberes ligados à cal e seus usos na arquitectura vernácula (Setembro); terminaremos seguindo as rotas do arqueólogo Estácio da Veiga em Cacela (Outubro).

 

Informações

Os percursos realizam-se aos Sábados e Domingos, entre Abril e Outubro.

Pontos de encontro no CIIPC (antiga escola primária) em Santa Rita, na cisterna de Cacela Velha, ou em Vila Real de Santo António na Praça Marquês de Pombal, consoante o percurso.

Para os percursos nocturnos deverá trazer roupa quente, calçado confortável e lanterna.

A organização reserva-se o direito de anular a realização de percursos caso se verifiquem condições climatéricas adversas.

 

Inscrições

Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela

Antiga Escola Primária de Santa Rita

Tel./ Fax: 281 952600 | ciipcacela@gmail.com | https://ciipcacela.wordpress.com

As participações são limitadas. Inscreva-se com antecedência, deixando o seu nome e contacto.

Valor de inscrição – 3€

 

Organização

Câmara Municipal de Vila Real de Santo António

Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela

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O CIIPC em Granada: participação no II CONGRESO INTERNACIONAL DE ESTUDIOS CERÁMICOS. ETNOARQUEOLOGÍA Y EXPERIMENTACIÓN: MÁS ALLÁ DE LA ANALOGÍA

Ruínas de antigas estruturas, memórias muito vagas, antigas lendas, referências documentais e bibliográficas, dados toponímicos, fotografias, e muitos outros vestígios: todos estes elementos estão a ser compilados e estudados para compreender como é que ao longo da história, os grupos humanos que habitaram o território de Cacela fizeram uso dos seus recursos naturais – neste caso as argilas – e as transformaram com vista ao suprir de necessidades ligadas aos usos quotidianos e à habitação (pavimentação, paredes e cobertura das casas, no caso dos telheiros para produção de ladrilhos, tijolos e telhas para a construção tradicional).

Foi isso que levámos a Granada, na passada semana, ao II CONGRESO INTERNACIONAL DE ESTUDIOS CERÁMICOS. ETNOARQUEOLOGÍA Y EXPERIMENTACIÓN: MÁS ALLÁ DE LA ANALOGÍA: a apresentação dos resultados preliminares do projecto “A produção cerâmica em Cacela (Vila Real de Santo António, Portugal). Uma aproximação a partir dos vestígios arqueológicos, fontes históricas e memórias orais”, da responsabilidade do CIIPC/CMVRSA.

Através de um percurso com paragens em diversos momentos históricos, o projecto pretende através do cruzamento entre disciplinas próximas (a História, a Antropologia, a Arqueologia, a (Etno)arqueometria), dar resposta a várias questões: O que revelam estas práticas antigas sobre um profundo conhecimento do território, seus recursos e usos? Que saberes na identificação das qualidades das argilas e métodos de extracção? Que tecnologias de transformação? Que relações sociais e familiares na organização destas actividades produtivas? Que lugar nas economias locais e regionais (circuitos de comercialização)? Como se organizou (técnica e socialmente) a actividade oleira ao longo dos anos? O que fazer agora com aquilo que nos chegou desta actividade?

Consulte aqui o PDF da comunicação apresentada (clique em cima) e aqui o resumo do projecto / proposta da comunicação (clique em cima).

CIIPC/CMVRSA em Granada

Poster do Congresso